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Crítica: Admiração de autor por JK compromete biografia do presidente


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Crítica: Admiração de autor por JK compromete biografia do presidenteVer imagem ampliada
Ronaldo Costa Couto é um historiador competente. Sua “História Indiscreta da Ditadura e da Abertura“ é referência obrigatória para bastidores e anedotas políticas da ditadura militar.

É também estudioso da vida e da obra de Juscelino Kubitschek (1902-1976). “Brasília Kubitschek de Oliveira“, que publicou em 2006, inspirou a série “JK“, da TV Globo.

Couto também tem a vantagem de conhecer a política por dentro, tendo assessorado o governador mineiro Tancredo Neves e ocupado ministérios no governo Sarney.

Não é sem expectativa, portanto, que se abre “O Essencial de JK“, um perfil do presidente. Mas o livro decepciona. A admiração do historiador por seu objeto compromete o equilíbrio da obra.

Em 1940, por exemplo, JK é convidado por Benedito Valadares, interventor em Minas, para assumir a Prefeitura de Belo Horizonte.

Na versão de Couto, calcada nas memórias do político, ele “bateu o pé“ e não aceitou, com intenção de voltar a se dedicar à medicina, até que um decreto publicado no “Diário Oficial“ criou um fato consumado.

Que JK tenha contado a história dessa maneira, é compreensível --um político ambicioso como ele talvez não desejasse uma associação voluntária com a ditadura de Getúlio Vargas.

Mas um historiador imparcial poderia ao menos ter se perguntado se JK não teria aceitado a prefeitura docemente constrangido.
Até o biógrafo Claudio Bojunga, que celebra o presidente em “JK, O Artista do Impossível“, reconhece que o jovem político tergiversou diante do convite, mas depois “a mosca azul recomeçou a zunir“.

Ainda sobre esse episódio, Couto comenta que, no cargo, JK poderia “contribuir efetivamente para o retorno da democracia“. Mas não explica como um chefe de executivo municipal poderia influenciar a política nacional.

Com o mesmo viés favorável ao perfilado, o autor menciona de passagem as muitas críticas à sua presidência.

Corrupção, inflação e desequilíbrio financeiro são mencionados em apenas uma frase. Mesmo que não fosse o caso de endossar as desaprovações, caberia discuti-las.

Quanto à vida pessoal de JK, é tratada com demasiada discrição. O autor não devassaria gratuitamente nenhuma intimidade se dedicasse ao caso extraconjugal iniciado durante o mandato e mantido por 18 anos um pouco mais do que dois parágrafos.

A ênfase no público em detrimento do privado, porém, talvez tenha resultado do fato de o livro derivar de uma encomenda da Câmara dos Deputados.

Fonte: Folha de SP
Foto: thoth3126.com.br

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